quinta-feira, 14 de maio de 2015

Mudamos!

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#ForzaJuve

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Em casa

Casa, no dicionário, é o edifício destinado à habitação; vivenda, além de mil outras definições. Na prática, a gente acaba dizendo que casa é o lugar em que a gente se sente mais à vontade. Nem com todo mundo é assim, é verdade, mas a maioria se sente muito bem quando está em casa.

Aquele lugar em que você não tem vergonha de usar qualquer roupa, dançar com uma música qualquer, cantar alto sem medo de ser julgado...


O Juventus no último domingo, contra a Votuporanguense, jogou em casa e no melhor sentido da palavra. Estava à vontade, estava empolgado, estava solto.

Começou atrás do placar, embora já dominasse a partida. Coisa de bola de parada. Mas não se deixou abater e continuou atacando. Gil quase fez um golaço depois de fazer fila na área adversária, mas a bola ainda insistia em não entrar.

Ainda no primeiro tempo, porém, o Juventus jogou um balde de água fria na torcida visitante, que marcou forte presença na esperança do acesso. Pênalti convertido por Daniel, aos 35, e gol de cabeça, aos 40, de Borges, que substituía Léo, suspenso, viraram o placar a nosso favor.



No segundo tempo, Gil ampliou, Daniel, de pênalti, ainda mais e Nathan, em bela jogada, mais um. 1, 2, 3, 4, 5. Gol que não acaba mais. Aliás, o que também não acabava mais era a quantidade de gente. Javari lotada, quase 4 mil pessoas. De fato, um caldeirão. Gritos desde "ão ão ão Gil é Seleção" até "eee vamo subir Juveee", passando por pequenos momentos de "olé".

Tudo isso fazia o Juventus estar em casa, de chinelo e meia, jogado no sofá e comendo besteira. Em uma de suas melhores partidas, contra um forte adversário - até então líder do grupo -, o Juventus devolveu a derrota sofrida na semana passada, mas com os devidos juros. Falando em juros, eu juro que o Ferro não merecia aquela expulsão. Ser colocado pra fora de casa só se for pela mãe. E era dia das mães. Ela não faria isso depois de um presente daqueles.

#ForzaJuve #EstamosVoltando

domingo, 19 de abril de 2015

[PERFIL] Conheça melhor Victor Salinas, zagueiro do Juventus

- Ah, pai, vou parar de jogar bola.

A decisão era difícil, mas o momento era, provavelmente, o pior da sua carreira. A temporada pela Portuguesa Santista, em 2012, tinha sido ruim. Victor Salinas, zagueiro, lesionou seriamente a posterior e ficou parado e sem tratamento por dois meses. O clube deixou as portas fechadas, não pagou o último mês para o elenco e, ainda pior, era agosto e não havia perspectivas de campeonato para o resto do ano.

- Se eu fosse você, eu continuava. O meu apoio você tem. Tenta mais um ou dois anos e se as coisas não andarem, aí eu falo para você parar.

Em setembro, de última hora, o pai provou que havia dado o conselho certo e surgiu a oportunidade de Victor se transferir para o Caldas Novas, para disputar a terceira divisão do campeonato goiano. E as coisas não só andaram, como foram além do esperado. Oportunidades inesperadas, aliás, foram comuns na carreira de Salinas, que topou receber o Futebol Travesso para uma longa conversa.


Faltavam quinze minutos para as cinco quando eu me dei conta de que não sabia como entrar na rua Javari em dias comuns. Victor Salinas, com quem eu tinha combinado me encontrar, havia me mandado uma mensagem avisando do fim do treino, mas eu não sabia bem o que fazer.

Vi um homem na porta por onde costumam sair os carros e avisei que ia encontrar Victor para uma entrevista. A natural reação diante de um projeto de jornalista com menos de 20 anos de idade foi de desconfiança, embora com uma ponta de simpatia.

- Não vou te convidar para entrar, porque a nossa orientação é essa, mas ele tá aí ainda, sim. Tá vendo aquele carro branco? É dele. Se vocês combinaram, daqui a pouco ele aparece.

Ele tinha razão, mais uma mensagem no celular me informava que Victor estava vindo ao meu encontro e, poucos segundos depois, ele apareceu com um sorriso no rosto e uma sugestão para conversarmos na arquibancada.

Diante daquele cenário atípico, um estádio de futebol vazio e silencioso, sentamos e iniciamos nossa conversa. O tal projeto de jornalista pareceu validar aquela desconfiança inicial quando se esqueceu de ligar o gravador e pediu para que começassem de novo. Salinas sorriu, como quem já havia percebido a falha, e não se importou em repetir as primeiras frases.

Victor nunca teve dúvidas do que queria ser quando crescesse. E o apoio dos pais contribuiu para isso. Desde pequeno, ele já jogava futebol de salão em São Bernardo, onde nasceu, e aos 12 foi para o campo, defendendo as cores do Santo André.

- Mas você não vai estudar? Olha que o futebol não dá futuro!

Essa era a frase mais ouvida pelo pequeno Victor Salinas, principalmente na época em que tinha entre 15 e 17 anos, e os estudos e o futebol começaram a brigar pelo tempo do zagueiro. O futebol, claro, era seu objetivo, mas isso não o impediu de completar o Ensino Médio e até de prestar o vestibular. Passou em Fisioterapia e Educação Física, mas preferiu não cursar.

- Cara, é difícil se você não tem um contrato longo num time. Uma coisa é você ir pra um time, fazer um contrato de quatro anos, aí sim, vou fazer uma faculdade, vou fazer um curso, mas outra coisa é você ficar seis meses em um time, seis meses em outro...

Resolveu seguir e passou a base toda no Santo André. Lá, conquistou o título da Copa Associação Paulista e fez o gol do título, que, aos risos, explica:

- Eu fiz o primeiro gol, a gente tomou o empate e o nosso atacante fez o segundo. Mas se eu não tivesse feito, não seria campeão.

O Santo André seria seu destino para iniciar a carreira profissional, mas a proposta de manter o mesmo salário da base não o agradou. Decidiu ir para Santa Catarina, disputar a terceira divisão pelo Pinheiros, um time de empresários (desses que existem para vincular jogador), foi campeão do juniores e quase subiu com o profissional, mas não ficou muito por lá, foram só dois meses. Apesar disso, foi onde conheceu alguém que iria cruzar a sua carreira muitas outras vezes: Rodrigo Santana, seu treinador, de quem sempre fala com muito carinho.

- Eu devo minha carreira ao Rodrigo.

Em 2012, depois de deixar o Pinheiros, passou por três times. Dois deles, com a mesma comissão técnica: Nenê Belarmino, hoje olheiro do Santos, era o treinador; Rodrigo Santana, o auxiliar. No Uberaba, disputando a primeira divisão mineira, não chegou a jogar e o time caiu. Depois, defendendo a Portuguesa Santista, passou talvez pelo único time em que tenha jogado sem alcançar resultados. Demorou a citar o time, e com uma ponta de decepção comenta.

- O time não dava nenhuma estrutura pra gente, era um salário mínimo pro time inteiro. Não investiram nada aquele ano. Em todo lugar que eu tive apoio, tanto do clube quanto da torcida eu fui bem.

Esperança no Centro-Oeste

De última hora chegou a oportunidade de jogar a terceira divisão do Campeonato Goiano pelo Caldas Novas, mais um time de empresários. O salário e a premiação pareciam interessantes e ele aceitou ir. Não se arrependeu.



Chegou lá para compor elenco, seria o quarto zagueiro, mas, nessas surpresas da vida, os outros se machucaram. Ruim para uns, ótimo para Victor Salinas, que soube, como poucos, aproveitar a oportunidade. Orgulhoso, conta sobre os três primeiros jogos, em que assinalou três gols (um em cada) e ajudou a levar o time para a liderança.

Não o bastante, foi campeão, vice-artilheiro, fez 6 gols de cabeça e ainda recebeu convites para jogar pelos dois maiores times do estado. Para quem pensava em parar de jogar futebol, essa foi uma injeção de ânimo e tanto.


O Goiás, por estar na Série A do Brasileiro, ofereceu um contrato de três meses, de risco. O Vila Nova, ao contrário, ofereceu dois anos. Optou pelo segundo. Seu treinador, Darío Pereyra, um de seus maiores ídolos no futebol e sobre quem fala com orgulho de fã, lutava para que seu elenco recebesse em dia. Positivo? Não para a diretoria.

Já sem condições de continuar pagando os salários, o clube preferiu demitir o treinador e a situação começou a ficar complicada. A estrutura do clube era muito boa. “Status de time grande”, nas palavras do próprio zagueiro. Todo domingo ele estava na televisão, e ainda, com frequência, aparecia na sala de imprensa para dar entrevista aos jornalistas. Foi quando ele decidiu nunca mais parar com o futebol.

Mas, após dois meses sem receber, Victor teve dificuldade para continuar pagando o flat em que morava e teve que entregá-lo. Foi quando ele resolveu pedir para o seu empresário a rescisão de seu contrato.

Chegada à Mooca

- Olha, o Juventus caiu da A2 para A3, mas paga, vai lá pra Copa Paulista que é um time da capital, a visibilidade é boa.

Teve medo, não conhecia ninguém do Juventus. Ninguém da comissão técnica, ninguém do time, ninguém da diretoria.

- Vai, pelo amor de Deus!

Seu padrasto, torcedor do Corinthians, tem o Juventus como segundo time e foi um dos grandes incentivadores da transferência de Victor, que resolveu, enfim, encarar a mudança. Celinho Spadotti, então treinador do Moleque Travesso, viu o DVD do zagueiro e o acolheu já com a camisa titular.



Questionado sobre os rumos de sua carreira, pensativo, ele confessa que esperava, quando chegou ao Vila Nova, conseguir ser contratado para algum time da primeira divisão após o fim da temporada, mas não considera ter regredido ao ir para o Juventus. Pelo contrário. Ter chegado até as quartas de final disputando contra times da Série A1, diz, foi um marco em sua carreira.

Ele lembra que quando já estava no Juventus, assumiu um novo presidente no Vila, que colocou dinheiro no clube e conquistou o acesso da Série C para a Série B. Ele não poderia imaginar, foi dessas peças que o destino prega, mas acredita ter sido melhor no Juventus do que teria sido lá.

- Eu to contente com a minha carreira, que nem você me perguntou, porque não tem nada melhor do que você estar em um elenco vencedor.

Elenco do Tombense

Saindo do Juventus, teve uma passagem pelo Tombense, clube pelo qual não chegou a atuar. E quando estava acertado seu retorno ao clube da Mooca, mais uma surpresa.

Em terras árabes

- Victor, o árabe me mandou entrar em contato com você, ele viu seu DVD e gostou. Ele tem isso pra te oferecer de salário e de premiação, lá eles vão te dar flat, carro, vão te dar tudo.

- Ta bom, mas quanto tempo?

- Dez meses de contrato.

- Gostei, legal, só que dez meses de contrato, pra morar num país diferente, eu quero levar minha noiva.

O diálogo, travado com Rafael Toledo, brasileiro conhecido do sheik do Bahrein (país próximo ao Qatar), ocorreu após o árabe ter achado, sozinho, o vídeo de Victor no Youtube. Como ao certo ele encontrou isso não se sabe, mas ele gostou e resolveu contratá-lo.

Levar a noiva, exigência do zagueiro, foi aprovado pelo clube, que prometeu, inclusive, bancar a passagem dela. Liberado pela comissão técnica juventina, foi, mas, ao chegar lá, não encontrou essa garantia em contrato.

Apesar disso, recebeu o carro e o flat combinados. O país, de cultura islâmica, era muito diferente, mas ele gostava. Morando em uma rua cheia de fast food, não teve problemas com alimentação. O futebol, porém, era muito fraco. Para Victor não se compara com nenhuma divisão do futebol brasileiro, com apenas um ou outro jogador se destacando. Mas passados dois meses, ele não aguentou mais ficar sozinho. Sabendo falar um pouco de inglês, foi conversar para pedir que sua noiva fosse para lá, como acertado.

- Você não é casado, nossa cultura não permite.

O treinador, para piorar, começou a implicar nos treinos. Cada exercício que era feito, ele mandava Victor fazer mais. Logo o jogador percebeu e resolveu pedir uma reunião com o manager, foi uma hora de desabafo.

Segundo ele, a questão não era ficar sozinho, mas ficar sozinho em um país diferente em que ele não conhecia ninguém e não sabia em quem confiar. O único brasileiro do time deu uma amenizada, mas ele queria que sua noiva passasse, pelo menos, uns dois meses com ele por lá. Diante da insistente negativa, pediu a rescisão.

Como a transferência ficaria presa lá, já que ele chegou a ser inscrito no campeonato, pediu mais dois salários por quebra de contrato. Ou seja, de dez meses, ficou três e recebeu cinco. Dia 6 de janeiro deste ano, voltou a se apresentar no Juventus, após pedido de Rodrigo Santana, mais uma vez ele.


Victor conta que estava esperando algumas situações de Série A2 e A1, mas não pensou duas vezes quando recebeu o convite do treinador. Tanto pelo Juventus, que ele diz gostar muito de jogar, quanto pelo técnico. Ajudar a subir o Juventus era uma forma de retribuir tudo que Rodrigo já havia feito por ele.

- O Juventus merece estar, no mínimo, em uma Série B e na A1 do Paulista, porque é um clube tradicional aqui. Quem sabe a gente não pode ajudar.

Salinas ainda relembra uma história, de sua época de Santo André. Lá, Baroninho (ex-Palmeiras e Flamengo) foi seu treinador por alguns anos. Se ele via no treino algum jogador com a camisa pra fora ou o meião abaixado, mandava sair e não começava o treino se o jogador não se arrumasse.

- Jogador tem que ter postura!

Victor acredita que, ainda hoje, se não coloca a camisa para dentro, não tem a mesma seriedade para jogar. Diz que se sente bem e não pretende mudar.

- Além disso, hoje passa a ser diferente, então eu acho que se todo mundo colocasse a camisa pra dentro eu ia querer colocar pra fora.

Terminada a conversa nos despedimos. Prometi enviar o link quando estivesse pronto e ele se colocou à disposição para tirar quaisquer dúvidas pelo Facebook. Saí do estádio e segui para casa.

-Quer uma carona?

Ouço o grito de alguém na rua, era ele passando de carro ao meu lado. Não é balela dizer que Victor Salinas é mesmo diferente, não só pela camisa para dentro. Simpático, falante e orgulhoso de suas escolhas, ainda que muitas vezes não tenham saído como esperado, é daquelas pessoas que não têm medo de desafios. Victor, ainda com 23 anos, certamente tem mais histórias que muita gente mais velha por aí.

*Fotos: Arquivo pessoal/Victor Salinas

domingo, 29 de março de 2015

Coisas que só acontecem na rua Javari

Domingo de manhã e a seleção entrou em campo para mais um jogo importante. Depois de uma fase bem ruim em 2014, parece que as coisas finalmente estão se encaixando. Mais uma vitória, e que indica bons caminhos a virem pela frente.

Oi? Você perguntou do Dunga? Ah, sei lá, parece que esse tal time de amarelo aí ganhou do Chile hoje. Mas não é sobre isso que estamos falando, não sei de onde você tirou essa ideia. Eu to falando é do Juventus, nossa máquina de fazer pontos na Série A3.

Estádio cheio para ver a seleção


Mais um jogo, mais uma vitória. Tá ficando até chato. Mentira, não tá não, tá sensacional. Hoje o Juventus entrou em campo para encarar a Santacruzense, o vice-lanterna da competição e mais uma vez foi eficiente jogando em casa. Tudo bem que não foi aquela boa atuação com que estamos acostumados, mas foi bom o bastante para garantir dois gols e mais uma vitória.

No primeiro tempo, alguns espaços abertos deixaram a Santacruzense um pouco à vontade. Felizmente, eles tinham pouquíssima qualidade na finalização e não levaram grandes sustos ao goleiro Rafael, que substituía André Dias, suspenso. Bom destacar que ele foi muito bem quando acionado. De goleiro estamos bem.



Lá para metade do primeiro tempo, Gil achou Daniel, que não perdeu tempo e abriu o marcador, para o delírio dos quase 2500 torcedores que lotaram os quatro lados do campo da rua Javari.

Já o segundo tempo começou ainda melhor para o time da casa. O Juventus pressionava mais e logo aos 13 minutos, Gil (que fase dessa jovem promessa) fez o cruzamento para Nathan empurrar e ampliar.

Com esse 2x0 a classificação matemática ainda não veio, mas já podemos nos considerar lá. Estamos a 10 pontos do nono colocado faltando apenas mais 12 a serem disputados.

E da série "coisas que só acontecem na rua Javari", não é novidade pra ninguém o quanto o goleiro adversário sofre nas mãos dos juventinos, principalmente na hora de cobrar o tiro de meta. No entanto, o goleiro da Santacruzense foi diferente. Carismático, ele riu das piadas e ainda deu camisa para um torcedor da casa.


"Fica assim não, parza"

Saiu (foi o último a deixar o campo, até) ovacionado, muito aplaudido, e ainda fez tchauzinho como se fosse mesmo um jogador do Juventus. Tudo isso ao som de gritos de "ão ão ão Ari é seleção" e "A E I dá esfiha pro Ari".

Quer mais um episódio da série? Victor Salinas, antes de sair de campo, distribuiu copos de água para a torcida juventina. Pegou todos que haviam sobrado no banco de reservas ("tá cheio de água aqui") e começou a disparar em nossa direção.

Depois ainda me perguntam porque eu torço pro Juventus...

#ForzaJuve

*Fotos retiradas do Flickr oficial do Juventus

quinta-feira, 26 de março de 2015

Era uma vez...

Era uma vez um reino, não muito distante, chamado Javari. Era um reino com muitas glórias, seu brasão era forte e seus súditos, apaixonados. Como aconteceu com muitos reinos antigos, os rumos acabaram se perdendo ao longo dos anos e ele acabou se afastando do topo, mas diferente de tantos outros, felizmente, ele não se entregou e seguiu resistindo.



Muitas coisas aconteceram por lá, algumas vitórias, outras derrotas, mas nada era como um dia havia sido. O exército do reino, chamado Juventus, já não tinha o vigor de outrora. Algumas formações traziam orgulho e até vitórias, outras envergonhavam e deixavam os apaixonados, feridos.

Muito se discutia: o que é possível fazer, o que é preciso deixar de fazer... alguns achavam que o reino devia abandonar suas velhas estruturas físicas para se modernizar e voltar ao rol dos grandes. Outros achavam que a força do reino estava em sua tradição e em seu brasão vitorioso.

Muitas discussões ocorreram. Trocas de ofensas até. Mas esses dois grupos sempre acabavam se unindo nos momentos das batalhas, torciam pela vitória, pelos soldados dentro de seus uniformes que ostentavam as cores grená e branco. Mas a felicidade ainda não voltava a estampar os rostos dos juventinos, como eram chamados os habitantes dali.


Um belo dia, surgiu uma esperança. Um verdadeiro guerreiro surgiu nas fileiras daquele exército. O nome dele era Gil. Experiente, já havia lutado por outros reinos e atingido êxitos significativos. Agora, já com uma idade um pouco mais avançada, foi chamado para tentar ajudar a reerguer aquele lugar.

No começo, ele foi ovacionado por todos, mas ainda não conseguia mostrar todo seu talento. Estava fora de ritmo, mas aos poucos, todos acreditavam, voltaria a ser o vitorioso guerreiro que um dia fora.


O comandante do exército, Rodrigo Santana, ainda que sem a grande estrela em forma, conseguiu montar uma equipe eficiente, rápida, que atacava os adversários com muita qualidade e sofria poucas ofensivas. Mas era chegada a hora dele brilhar.

Juventus e Francana se enfrentaram em território juventino. E Gil destruiu o adversário.

1, 2, 3, 4 vezes ele bombardeou o gol da Francana. Na última, em cobrança de pênalti, a bola foi tão forte e tão alta que encaixou nos fundos da rede. A torcida o ovacionava, seu nome era gritado constantemente.


Quando o árbitro assinalou pênalti para o rival, já para o final do jogo, a torcida chegou até a pedir que Gil vestisse as luvas e fosse defender a cobrança. Nem foi preciso. André Dias, outro monstro, espalmou. Estava claro, o dia era do Juventus, o dia era da Javari.

Gil, o Legislador, já famoso por ter criado uma das leis mais famosas do futebol, já tem nome e apelido, digno de um imperador de um reino antigo. É o que os súditos da Javari desejam, que o Juventus volte a ser um Império, a alcançar méritos, vitórias, conquistas.

O desempenho nas batalhas disputadas até aqui nessa Série A3 estão apontando para um final feliz desse conto de fadas. Esperamos que a última frase dele seja "e foram felizes para sempre". Nenhum dos súditos aguenta mais sofrer no limbo do nosso futebol.

#ForzaJuve

*Fotos retiradas do Flickr oficial do Juventus e da página Eu na Javari, no Facebook

quarta-feira, 11 de março de 2015

Zagueiro(s) artilheiro(s)

Acho que todo mundo conhece alguém que é formado em uma coisa, mas exerce outra. Engenheiro que vira empresário de doce, economista que vai ser cantor, enfim, é uma situação comum.

Tem também coisas que servem pra uma coisa, mas a gente pode usar pra outra. Quem nunca usou o controle remoto como vara de pesca quando derrubou alguma coisa do sofá. Aliás, quem nunca usou o sofá de cama?

Isso é bastante comum. Às vezes é por falta de oportunidade mesmo (no caso de algumas pessoas), mas em outras é justamente a própria oportunidade. O economista que gostava de cantar no corredor da faculdade e aí de repente o pai de alguém é produtor musical, passa lá e pronto, começa.



No futebol isso também acontece bastante. Quantas histórias de um jogador X que queria ser atacante, mas não mandava tão bem nos chutes finais e foi recuando de posição a cada treinador por que passava, até terminar como um lateral, por exemplo. E vice-versa.

É, essas coisas acontecem. Assim como acontece também, direto, que um zagueiro suba até a área adversária pra fazer um gol. Mas dois zagueiros, do mesmo time e no mesmo jogo? Aí é ser um torcedor de muita sorte!

Hoje mesmo, mais cedo, rolou isso no jogo do Paris Saint-Germain, o que deu ao time francês a classificação na Liga dos Campeões. Mas não é que o torcedor juventino também é um desses felizardos?



Sabe aqueles dias em que os atacantes até tentam, mas não conseguem? Foi o que aconteceu hoje lá no rua Javari, no jogo contra o... espera aí que o locutor do estádio me ensinou a falar esse nome direitinho (perguntem a qualquer um que tenha ido ao jogo). É vopu votopu Votuporanguense!

O time, quarto colocado na tabela, foi dominado a maior parte do tempo pelo esquadrão da casa, embora também tenha tido grandes chances, brilhantemente defendidas pelo goleiro André Dias.

O gol do Juventus demorou e saiu só no finalzinho do primeiro tempo, após cobrança de escanteio e cabeçada forte do zagueirão Léo, de volta (pelo jeito pra ficar) ao time titular. Depois, Victor Salinas, nosso outro zagueirão, ampliou o placar também de cabeça e após cobrança de escanteio.


 Ourinho também foi destaque

Os atacantes também tentaram. Nathan esbarrava (sempre) em impedimentos, Abraão acho que nem jogou, e o Gil, que entrou no segundo tempo, pouco fez. Sobrou pros zagueiros, que souberam fazer bem o trabalho.

Aliás, teve uma outra coisa lá no jogo que foi usada para uma coisa diferente. O árbitro tinha em mãos um daqueles sprays para demarcar a linha da barreira. Mas só jogava uma fumacinha e não marcava nada. Parece que ele só queria usar mesmo pra molhar o gramado. Em tempos de crise hídrica, até que foi bem oportuno.

#ForzaJuve

Obs: voltamos à liderança

*Fotos retiradas do Flickr oficial do Juventus

domingo, 8 de março de 2015

Uma viagem do céu ao inferno

Há alguns anos, seria engraçado pensar nas pessoas que viajam para ver seu time jogar. Gente que se dispõe a pegar seu carro e sair da cidade pelo simples prazer de acompanhar uma partida de futebol do seu time do coração.

Hoje em dia, eu vejo eu mesmo fazendo essas coisas. Minha primeira viagem foi em 2012, até Osasco, para ver o acesso juventino para a Série A2. Foi uma ótima experiência e, desde então, não parei mais. Se o jogo não é abusivamente longe, lá estamos nós.



A ideia de uma viagem (não apenas as que envolvem futebol) é voltar mais feliz do que se foi. Embora não seja sempre que isso acontece.

Essa semana começou com uma viagem e terminou com outra. Viajamos de Taubaté para Atibaia. Do céu para o inferno.



No domingo passado, a viagem foi tão boa quanto o jogo. Saímos de casa perto da hora do almoço e paramos para comer no caminho, em um lugar bem bacana. Em campo, a defesa causou alguns ataques cardíacos, mas o time conseguiu sair com a vitória: 3x2. Fomos felizes e voltamos mais ainda. Ponto positivo.

Ontem, para Atibaia, ao contrário, a viagem foi tão conturbada quanto o jogo. Nosso parceiro de todos os trajetos, Waze, não sabia onde ficava o estádio da cidade. Mas ninguém pode dizer que ele não tentou. Ficou nos dando instruções até dizer "você chegou ao seu destino" em um lugar que poderia ser tudo, menos um estádio de futebol.


Estávamos perdidos, tão perdidos quanto o time do Juventus já estava, naquele momento, dentro de campo. Recebemos a notícia de que já estava 1x0 para o time da casa. Conseguimos chegar, graças à ajuda de um amigo torcedor do Atibaia, já na metade do primeiro tempo. O estádio era, no mínimo, diferente e um dos mais estranhos que eu já havia visitado.

O time também estava estranho, diferente do que eu tinha visto até aqui. Jogo feio, fraco, truncado e sorte do Atibaia ter encontrado esse golzinho no início, porque o jogo não foi aquilo que todos esperavam de um duelo entre líderes.


Apesar de não ter sido bom, o resultado não é motivo de preocupação. O Juventus ficou na vice-liderança e a torcida segue confiante. Acho que com o Moleque, aconteceu o mesmo que com o Waze. Eles bem que tentaram, mas era um dia em que as coisas resolveram que não iam dar certo do jeito que a gente queria. Não por isso deixam de ser um bom aplicativo, ou um bom time.

Mas nesta viagem não voltamos mais felizes do que fomos. Ponto negativo. Agora é torcer para que esse resultado seja esquecido na próxima quarta, em casa, contra o time de nome mais difícil do campeonato paulista: Votuporanguense. Que, desta vez, possamos ir do inferno ao céu novamente.

#ForzaJuve